• Daniel Alves

Inovação: Decisões precisam ser tomadas!

Falamos em inovação, mas não sabemos como ser uma empresa inovadora. Ouvimos que é necessário investir em inteligência artificial, mas não sabemos como. Queremos mergulhar na transformação digital, mas mal passamos da superfície. Até o momento em que a realidade afronta o presente questionando a existência da empresa no futuro. Definitivamente não dá para adiar. Decisões precisam ser tomadas.




Um bom começo é transformar a empresa em uma organização aprendiz. Trocar a carreira profissional dos colaboradores por jornadas de aprendizado. Quantas vezes os principais líderes saíram para entrevistar de forma estruturada seus clientes a fim de ouvir (de verdade) suas opiniões e sugestões? E os que deixaram de ser clientes e perderam o interesse no produto ou serviço que sua empresa oferece? Sua empresa busca resposta para estas perguntas de forma sistemática?


Qual o equilíbrio entre o tempo dedicado para garantir as metas e encontrar soluções para os problemas cotidianos, com o tempo dedicado para questionar o modelo de negócio atual? Repensar o negócio não é moda, é garantia de sobrevivência, aliás sempre foi. A única diferença é que no passado as mudanças não eram tão velozes e o mundo não era tão volátil. O que permitia, aos menos atentos, sentirem-se seguros mesmo estando estagnados.


Não há mais tempo a perder. Todas as organizações precisam questionar seu perfil organizacional, ou seja, crenças, atitudes, comportamentos, ambiente, motivação, relacionamentos internos e externos, bem como sua capacidade de inovar com resultados concretos, sua capacidade de lidar com um volume imenso de dados, sua estrutura e processos.


A inovação não é um luxo ou uma característica de empresas ousadas, ou de startups, ou mesmo fruto de um empreendedor criativo. A inovação é uma necessidade. É um fator crítico de sucesso. E o ponto central se chama indivíduo, gente capaz de questionar e agir, não apenas exercer sua função.


É o ser humano que promove e sustenta a mudança. As relações entre empregado e empregador, entre ser o humano e o trabalho atual, são mais complexos do que os de décadas atrás. O ser humano não para de evoluir, mas parece que o jeito de gerenciar as pessoas nas organizações não acompanha esta evolução na mesma velocidade, com exceção das empresas mais maduras nessa questão. Para gerenciar a adaptabilidade de uma empresa, seus gestores não podem tratar o público interno como uma massa homogênea, mas sim como indivíduos.


As pessoas almejam fazer parte de algo maior e não apenas trocar horas de trabalho por uma recompensa financeira. As novas gerações exalam essa verdade. Significado originado de um propósito nunca foi tão importante quanto é hoje. O excesso de informação, a escassez de tempo, o uso da tecnologia como meio de convívio social, o desuso da refeição como ponto de encontro da família e relações pessoais cada vez mais passageiras e transitórias, são alguns dos fatores que alimentam a necessidade de pertencimento. Ver significado e relevância em fazer parte de uma comunidade, principalmente de trabalho, onde passamos a maior parte da vida e onde os valores pessoais devem ser compatíveis com os valores do grupo, é uma verdade que não pode ser desconsiderada.


Antes de investir em tecnologias exponenciais, comece com as pessoas. Desconsiderar o indivíduo em detrimento da massa, é um caminho fadado ao fracasso. No contexto atual, a ascensão da responsabilidade individual contra o anonimato coletivo, pode fazer toda a diferença nos indicadores de desempenho. A autogestão é a essência do trabalho atual e a característica decisiva do compromisso do colaborador. É o conjunto de indivíduos motivados que sustenta o comportamento da identidade corporativa.


Desenvolva uma ambição coletiva onde cada indivíduo conecte-se com um propósito capaz de gerar valor para os clientes, as comunidades, o país e até o planeta. Um propósito que levante uma bandeira pela qual as pessoas estão dispostas a se dedicar engaja o indivíduo num processo de evolução da consciência e da mudança comportamental. Quando o propósito se tornar um sistema estratégico traduzido em objetivos e metas para orientar a autogestão, será o momento para compreender como a inteligência artificial, a conversão de dados em ativos e a inovação por experimentação rápida, podem gerar modelos de negócios disruptivos para usa organização ficar longe das armadilhas da estagnação.


Gerson Ferreira

Co-fundador da MODO8 | Estrategista Cultural & Branding

Dedicado a evoluir a capacidade competitiva de organizações inspirando e acelerando as transformações que integram estratégias de negócio, cultura organizacional, significado da marca e o contexto digital. Sempre tendo como base a compreensão do comportamento humano.